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segunda-feira, 11 de junho de 2012

A situação dos cristãos no Médio Orien­te - Passado e futuro


A situação dos cristãos no Médio Orien­te sempre foi muito débil e a Igreja Copta é disso exemplo: incapaz de perspec­tivas, de iniciativas, de empenhar-se na sociedade e na política. A Igreja Copta está frequentemente fechada sobre si mesma, vive num gueto para se prote­ger. Não tenta mudar a sociedade por­que teme não consegui-lo, ao ser uma minoria. No passado foi diferente: há 80 ou 50 anos era muito mais viva. Depois, até pelas condições de liberdade, refu­giou-se mais nos mosteiros, na oração, na vida interna. Agora, com a Primave­ra Árabe, estamos num momento que suscitou muitas esperanças de liberdade para cristãos e muçulmanos, recusan­do um regime teocrático. Infelizmente, parece que estamos a caminhar precisa­mente nesta linha.

Outro problema do Egipto são os mi­litares. O exército comanda no Egipto desde os tempos de Nasser, há pelo me­nos 60 anos, e não parece que queira deixar o poder. Mesmo agora são eles a decidir tudo. O Egipto encontra-se numa encruzilhada delicada: pode tornar-se uma ditadura militar ou um regime fundamentalista.

Urge um maior empenho na vida da sociedade, no bem comum, na política e nos direitos humanos. Precisamente, por isso muitos cristãos hesitam peran­te a revolução.



Entre os bispos coptas há personalida­des de grande valor, que poderiam as­sumir a liderança da Igreja, que perma­nece forte na espiritualidade, na oração litúrgica, no jejum. Recordo que os cop­tas têm quase 200 dias de jejum ao ano. Este jejum, vivido em união com Jesus Cristo, reforça a fé e o vigor dos coptas, capazes de resistir na sua identidade. Há que dizer que este testemunho religioso dos coptas impressiona muito as pesso­as islâmicas, que muitas vezes associam os cristãos ao Ocidente e ao ateísmo. Depois da Primavera Árabe, estamos numa nova etapa que nos exige novas opções. No seio da Igreja Copta deve- -se dar mais liberdade aos bispos, aos sacerdotes, aos leigos: é preciso certa­mente haver uma voz única, mas não ditatorial. Urge um maior empenho na vida da sociedade, no bem comum, na política e direitos humanos. Os cris­tãos coptas não são contrários a isto, mas não o promovem. E, no entanto, os cristãos teriam uma função muito im­portante, sobretudo para dar dignidade e valor à mulher, que no islão é muitas vezes humilhada.

A relação com os muçulmanos deveria ser mais viva: não se pode viver ao lado uns dos outros sem se fazerem algumas perguntas. Por exemplo: na sociedade egípcia faz-se publicidade só ao islão, nos autocarros, nos táxis. É preciso que os cristãos digam aos muçulmanos que é tempo de construir uma sociedade que conceda espaço a todos.

Outra dimensão necessária é a missão. No Egipto não há missão até por con­dições sociológicas: o islão não permite a evangelização. Mas é urgente o teste­munho explícito e seria bom trabalhar nisso, juntamente com outras confis­sões cristãs. Já somos poucos: dividir-nos enfraquece-nos ainda mais. «!
in Rev. Além-Mar

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