AVISO

Meus caros Leitores,

Devido ao meu Blog ter atingido a capacidade máxima de imagens, fui obrigado a criar um novo Blog.

A partir de agora poderão encontrar-me em:

http://www.arocoutinhoviana.blogspot.com

Obrigado

sexta-feira, 16 de fevereiro de 2018

Serra para ser manejada por duas pessoas

Serra de cortar os troncos, os toros das árvores. Para cortar, lanhar, talhar em tábuas. Um serra para ser trabalhada por duas pessoas.

segunda-feira, 12 de fevereiro de 2018

O Cozido

O cozido está para Portugal como o rodízio para o Brasil. Para o cozido são precisas 3 espécies de carne, mas a que prevalece é a de porco, cachaceira, orelheira, febra ou presunto, chouriças de 2 ou 3 qualidades.
Domingo gordo e terça-feira de Carnaval são dias em que ele é mais apetecido.
No entanto não há cozido como o conheci na Serra de Arga feito no pote com couves, feijão e batata, pernil, chispe, presunto e chouriço cozido ao mesmo tempo no mesmo pote ao lume da lareira..
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QUEM AMA FICA!...

Quem ama fica!...



Era menino, ainda pequenino, e já corria de Mazarefes… ao colo da mãe, da tia, do pai ou do avô para a cidade. Acredito eu, como os meus pais e família, viviam as festas da Senhora da Agonia com alegria a todas as horas do dia e da sua devoção à Senhora, onde, na sua capela rezávamos e  eles deixavam as suas esmolas.

A minha família era muito bem relacionada com famílias de Viana, algumas já perdi de vista. A família da Ritinha do Forno, o Tenente Teixeira, do Carvalho, ferrageiro em Viana, a família do Dr. João Valença, o Camelo do Largo de S. Domingos, a família Bacelar, a família Sárrea, a família Carvalho da Ourivesaria, a dos Fidalgos, a família Alpoim, a família Queiroz, da Zefa Carqueija, dos Figueiredos, dos Gandras, muitas, mesmo muitas das famílias desde as mais simples às mais cultivadas. Era eu pequeno e batia à porta das famílias conhecidas.

Talvez por motivos de banhos quentes da praia norte que a minha avó paterna utilizava um mês no ano, em Agosto. Nesse tempo, normalmente, eu passava a maior parte dos dias na cidade, ainda no tempo de escola, até a minha avó desistir dos tratamentos que a ajudaram talvez, na altura, a superar algum dos seus sofrimentos. Este fator deve ter contribuído muito para estar em Viana, como se estivesse em Mazarefes, minha terra natal.

Era a minha terra. A minha ida para o Seminário e para a Serra d’Arga, assim como a minha solicitude pastoral, como sacerdote que sou, desviaram talvez muito os meus olhares e as minhas convivências com jovens da cidade e da minha idade… muitos encontrei-os e encontro-os na minha Paróquia. Caminhos diferentes para uns e para outros… Alguns amigos mais velhos já faleceram. Outros estamos apenas em alguma convivência e colaboração pontual ou ainda conservamos memórias que podemos considerar de outros tempos.

Ainda recordo outras famílias: os Dias, os Salgados, os “Russos”, os “de Outeiro”, os “Limas”, “Cerqueiras” da Abelheira, os Delgados, o Martins da Socomina e de Valverde, os Matos e os Farias.

Desse tempo recordo as festas d’Agonia como aquilo que mais era esperado pelo povo das aldeias e vivido com uma animação extraordinária, por toda a gente, sobretudo pela juventude, mas não havia idoso que ficasse em casa. No coração pulava sempre  sangue novo.

Eu nem vinha. Passava esses dias cá e era um “regalo” ver os comboios (cheios por dentro e por fora) apenhados de forasteiros agarrados às portas, aos degraus das escadas, às janelas, a qualquer sítio onde pudessem ter a que se agarrar, correndo até riscos ou pondo a vida em perigo. Depois… eram comboios de um lado para outro a várias horas!...

Mantinham-se os horários normais, mas fora disso, era um vaivém de comboios… de gente que vinha e de gente que ia…os que vinham a explodir de satisfação e os que iam cansados, mas com vontade de ficar!...

Aqui pelas ruas da cidade era um frenesim de alegria espantosa, um correr aos fontenários de Santo António, da Senhora d’Agonia, de Altamira, das Almas, etc… enquanto, por outro lado, pessoas amontoavam-se para entrar nos sanitários públicos da Rua General Luís do Rego, na Estação, no Mercado, no Jardim da beira-rio por baixo do coreto, no Jardim D. Fernando (S. Domingos) …

Água, limonada, pirolitos e laranjada!... Gritavam alto as mulheres ou os homens que, nesses dias, se dedicavam de cântaro aos ombros, ou mais tarde, com caneco de zinco coberto com cortiça. Era barato, custava o tostão. Caro por ser água com limão, mas barato por quem matava a sede ao

O mais interessante para mim, no tempo de criança, eram os cabeçudos, os gigantones, os bombos, o barulho e o vaivém das pessoas desde a Rua da Bandeira ao Templo da Agonia, a “Avenida das Camionetas” e dos Comboios, onde eram deixadas multidões de passageiros, que se dispersavam por todos os cantões de toda a cidade.

 O ponto de encontro era a Praça da República, mas o Campo d’Agonia era o espaço da grande festa à volta do templo e sempre cheio de gente e de miudagem que se entretinha a ver os brinquedos artesanais e a pedir, choramingando aos pais, à mãe, ao tio ou ao padrinho mais um brinquedo, um chupa-chupa feito de açúcar em caramelo à volta de um palito e em forma de um cone resguardado por um papel… Os carrocéis e as voltas que as crianças sempre deliram e gostavam de repetir até nunca mais se cansarem.

Sabia sempre a pouco, sendo certo que se voltava da festa com saudades de querer ficar, vindo agora o lema: “Quem gosta vem, quem ama fica”.

Comecei a viver as festas convivendo nesses dias sempre com famílias amigas em Viana e, ano a ano, é sempre uma romaria nova.

Sempre há uma novidade: Nesses dias Viana vive, como nunca, de outro modo, dias que arrastam à partilha, à convivência, à coesão e à sombra da senhora da Agonia abre caminhos para a comunhão, uma nova alegria que vem mesmo do coração, isto é, vêm de dentro, venerando a Senhora da Agonia não poem de lado a natural alegria que de dentro salta, como uma explosão, para uma vida nova, remoçada, ano a ano, e como acalentando na mão um bebé para que não caia ao chão.

É a ternura, é o amor, e é por isso que “Quem ama vem, quem gosta fica”.

                                                                                                                          A. Coutinho

Os porcos são porcos

Até na cidade se criavam porcos para servir de base como presigo à alimentação. Na aldeia o porcos eram criados em currais com chão de terra e lastrado com mato ou de junco, tudo o que servia para lastrar o gado bovino. Os porcos passavam a vida a fossar na terra e ficavam muito sujos, "ficavam porcos" e quando podiam ficar só suínos. Estes animais eram criados aos dois, três ou mais nas casas dos grandes lavradores para não faltar o toucinho, as febras, o lombo, as costeletas, a orelheira e o focinho para usar na alimentação do Carnaval, ou fazer em dia de festa um cozido. Alimentavam-se de lavadura lançada na pia, normalmente de pedra, restos de comida do lavrador misturada com farinhas, milho e vegetais mesmo cruz.

sábado, 10 de fevereiro de 2018

O Semeador

O Semeador tal e qual o conheci e que mostro na figura veio ultrapassar o semear à mão como no tempo de Jesus que na Bíblia se refere ao Semeador das sementes que ora caem em terreno bom, ora caem em terreno mau, ou são levadas pelo vento. Assim acontecia e acontece hoje com a sua palavra. Aquela que cai em terreno bom dá fruto para o Reino de Deus.
Ora este instrumento de trabalho que mostro não é desse tempo e também já não o de agora porque, entretanto, já apareceram muitos outros trabalhos tecnicamente mais cómodos e mais rápidos.
E se houver algum inconveniente, pelo menos, pelo menos o vento não leva a semente...

quinta-feira, 8 de fevereiro de 2018

CANZIL

O CANZIL é a canga para um animal só. É o jugo para o animal ao qual o animal é prendido com um aro, ficando com o pescoço debaixo do jugo e preparado para puxar algo. Era usado não só na agricultura , mas também noutros trabalhos como puxarou arrastar algo, por exemplo, uma grande pedra através de uma corrente presa ao dito jugo.
A Canga era o mesmo para dois animais juntos.

quarta-feira, 7 de fevereiro de 2018

SERROTE

Dois Serrotes de ponta. Há vários tipos de serrote dependendo do serviço que é feito. É constituído por uma lâmina mais ou menos larga com dentes afiados e mais ou menos trevados, com dentes em recto, virados para um lado ou outro ou intervalados e com um punho, tipo pistolão. Estes que são mostrados eram os mais comuns na casa também do lavrador. Sobretudo eram utilizados nas podas das vinhas, árvores, etc...

Outra foucinha

Esta Foucinha que era usada para corte de coisas mais grosseiras do que a erva, como por exemplo o as canas do milheiro, portanto, para o corte de milho. Podia ser usada a foucinha normal da erva, mas apareceu esta com mais vantagem e sobretudo não cansava tanto os braços.

Cesto de uma rasa

Um Cesto dos pequenos feitos pelos cesteiros de Mazarefes. Este era de uma rasa, isto é, não levava mais que uma rasa de milho, à volta de 13 quilos de milho, por exemplo, Nesta foto vê-se que está bem coçado do uso, mas os que eram de levar à feira estavam sempre com melhor aspecto. 
Quando se tratava do da feira, era levado à cabeça com diversos produtos da terra para serem vendidos na feira da região, da vila ou da cidade.
Havia cestos para 2 e 3 rasas que se utilizavam mais na faina do lavrador dentro de portas do quintal, bem como as cestinhas mais pequeninas usadas para outras coisas. Recordo que lá em casa os meus avós tinham uma no no banquinho de pedra suspenso na ombreira da Janela aberta de alto a baixo. Esse cestinho tinha uma corda e quando os pobres batiam à porta com um rosário de oraçãos pelas "alminhas desta casa que Deus lá tem", era através desse cestinho que desciam a esmola. Bom. Dava mais serviços, não só para dar ou entregar, como para receber sem descer pelas escadas à porta da rua.
Havia ainda o cesto da mordomia e a cesta de noiva.

Ainda o boi e a vaca

Ainda o boi e a vaca
...E nem tudo lembra quando se fala de carro de bois ou de carro de vacas.
Numa região transmontana havia o "boi do povo". Talvez ainda exista esta figura, mas em tempos idos este boi era guardado em corte própria, come um paço, uma capela, com uma sineta para tocar aos domingos de tarde reunir os jovens para tratarem do boi e pedir, porta a porta, ajuda para durante o ano manter aquele que era o boi do povo que em determinado dia do ano ia fazer uma pega com outros para ver se estava pesado,forte e potente para, cornos com cornos, pudesse vencer ou levar à desistência, ao cansaço dos outros.
Nas nossas terras havia o boi boieiro, onde levavam as vacas que estivessem com o cio, desta forma a vaca podia ficar prenha e dar criação.
Um dia, na recta da Areosa, observei um espectáculo inesperado quando ia de Viana para Dem, por V. P. de Âncora: uma senhora levava a vaca ao boi e ia pela berma da estrada quando de repente a vaca se levanta com as patas da frente no ar e fez cair a senhora que ia com ela pela corda à sua frente o que me fez parar e mais outro carro que vinha de frente para dar a mão e foi assim que nos apercebemos do que se passava, mas a senhora não teve qualquer ferimento que, segundo ela foi mais o susto que a levou a cair.
Estas coisas eram assim.
Também quando se andava com o gado bovino em trabalho em sítio que ele não poderia comer, por exemplo, no meio das couves da horta, então eram utilizados uma espécie de açaimes, como para os cães. Eram diferentes e chamam-lhe cofinhos ( na Abelheira), cofos ( em Mazarefes), conformes as terras. Aqui apresento a fotografia de uns, mas não eram iguais em todo o lado. Dependia do artista...
As vacas ou os bois andavam, normalmente, presos por um acorda ou uma soga. A soga era era diferente da corda de sizal. Era feita de uma fita larguinha da pele de outro bovino que tivesse sido morto. Esta pele era um pouco rija, mas com era amaciada com banha de porco.


terça-feira, 6 de fevereiro de 2018

A Foucinha

Esta era a Foucinha com que se cortava a erva com que se alimentavam os animais nas cortes e com a qual muitas vezes se fazia a palhada. Muita erva apanhei e tenho a marca de ter cortado quase um dedo. As marcas cá estão. Quem sabe se foi mesmo com esta foucinha?

A Roldana

Esta peça e o conjunto destas peças agarravam grandes cargas e tornava o trabalho mais leve ao homem para subir grandes pedras para as construções das casas. Era o sistema das roldanas.
É portanto uma roldana e com um conjunto de roldanas que muitas obras grandes de pedra foram feitas depois das rampas. Desde Siracusa que os cadernais (combinação de roldanas) ficaram célebres para um só homem por esse sistema fazer com um sistema de combinação de roldanas obras que hoje são motivo de encanto e admiração de todos.

segunda-feira, 5 de fevereiro de 2018

Os bois e as vacas

Os Bois e as vacas.

Quando abordei o “Carro de Bois” só me referi, de facto, aos bois pela razão de ser “carro de bois”, que era o mais usual em lavradores que, às vezes, à porfia, tinham até duas juntas para poder fazer um cambão sem ter que pedir ao vizinho.
Também o mesmo se diga do “Carro de vacas” que era usada, mas menos, em tempos idos.
As vacas davam leite para a casa, não havia uma casa de lavrador que não tivesse uma vaca para dar leite para a casa, ou fazer criação para dar um bom lucro para o curador na venda dos bezerros.
O leite começou a recolher-se porta a porta por mulheres conhecidas por “as leiteiras” para ser levado para a fábrica ou para a cidade. Também era vendido à porta aos vizinhos que dele precisassem. Mais tarde começou a ser o curador a levar o leite em canecos próprio para um posto de recolha, era pesado o seu grau de gordura e conforme fosse mais alto o grau da gordura mais e melhor pagavam ao proprietário. Assim poupavam-se as vacas para bem alimentadas darem mais leite.
Recordo que directamente do ubre da vaca o leite era comido com sopas de pão boroa,ou pão trigo, sem passar até pela fervura. Eu próprio preparava o miolo da boroa numa malga e ia ao ubre da vaquinha puxar o leite para preparar o petisco.
No entanto, ainda me lembro de o meu avô paterno vender a sua junta de bois ficando a corte dos bois livre para mais vacas.
Tinha ele tanto gosto que um ano entrou num concurso entre o Douro e o Minho com uma das vacas que foi transportada para o Porto e tirou salvo erro o 2º prémio. Foi a Maria do Céu conforme foto que a acompanhou. Devemos ter a taça que recebeu como prémio e uma placa de metal.
Era tirado o leite pela manhã e ao fim do dia.
Que bem sabia ao proprietário receber, de 15 em 15 dias, a quinzena do leite. Foi o que aconteceu nas Argas.  O leite era deitado fora e em 1972 quando para lá fui fiz com que a Junta e empreendedores da terra se juntassem e criassem um ponto de recolha de leite que a fábrica de Vila Praia de Âncora não podia receber, mas arranjou-se que fosse levantado pela de Vila de Conde. Toda a gente das Argas ficou contente ao ver que recebiam bastante rendimento do leite, pois o leite devido aos pastos era mais gordo. Recebiam bem e era como pão para a boca, pois desde a sementeira da floresta, ficaram proibidos de vender queijo e manteiga, produtos caseiros. Começou a ser uma fonte de receita com que melhor puderam ser generosos para restaurar as suas igrejas e capelas.
Foram-se os bois, mas as vacas tomaram o lugar dos bois e, era vulgar, o carro das vacas, eram sempre duas, uma junta. Só a carroça exigia uma, ou outros trabalhos do campo…
Na minha memória guardo más recordações quando um animal deste, boi ou vaca, tinha de puxar à custa das varadas ou das aguilhoadelas que, na altura, já era proibido que as varas tivessem um aguilhão maior que qualquer coisa que não lembro.
Hoje, isso acabou.
Primeiro vieram as charruas, ou os tractores e as ordenhas para as vacas. Tudo mais fácil que torna o trabalho mais leve para o homem e os animais que não são necessários a não ser para dar a carne, o leite e também a criação, mas com a reforma agrícola e as exigências legais muitos abandonaram e vê-se pouco gado bovino…












Foucinho

A Foice de ombro, mas cumprida e própria para cortar a erva, o feno, o centeio... mais rápido. Conhecido por foucinho.

O Trado

O Trado era um instrumento para furar a madeira, fazer buracos em madeira. Hoje já existem mecanismos que nada exigem a quem precisa a não ser o uso da cabeça para saber o que trem a fazer, aonde e carregar num botão.

Escada

Uma escada para subir mais alto. Era de duas guias paralelas de madeira de eucalipto ou melhor com degraus em madeira da mesma espécie. Era utilizada para subir aos telhados, para a apanha da azeitona ou encostar a qualquer árvore de fruto como as cerejeiras,etc...
Hoje há-as em metal ou alumínio mais seguras e até para maiores alturas, mas já estão a ser substituídas pelas máquinas elevatórias e só, muito mais seguras enquanto pelo menos alguma problema tecnológico não falha.
Oxalá que nunca falhe...
"deita-lhe a escada"

Uma pá

Uma pá para andar com a massa, com a terra, para remexer ou retirar, como também pôr algo onde faz falta. Não era só o trlha que precisava dela, também o lavrador.

Foice pequena

Foice pequena para coisas pequenas

Foice da lareira


Uma foice de lareira, mas falta-lhe o cabo de madeira, mas também nem todas o tinham.

FOICE DAS SILVAS

A foice das silvas. Não quer dizer que fosse utilizada só para as silvas, mas para o que calhava em quem desse mais jeito.

Esticador

A estrutura de uma cadeira de rodas.

ESTICADOR

Desconheço o nome desta peça. Chamo-lhe o esticador para aqueles que faziam vinhas de ramada esticarem os arames paralelos e não ficarem soltos ou a fazer lombas.

sábado, 3 de fevereiro de 2018

O Carro de Bois

O CARRO DE BOIS
O carro mais comum para o trabalho na lavoura até aos anos 80 era o carro de atracção animal que em paralelo com a carroça para os mais pobres era o carro de bois, ou das vacas. O lavrador utilizava o gado bovino e, entre ele, os bois eram os animais que os grandes lavradores gostavam de ter. Às vezes, era à porfia, a ver aquele que mais juntas de bois tinha para fazer um, dois cambões e quando necessitasse de uma grande força a exercer até no lavrar a terra, não ter de ir pedir ao vizinho gado.



Este carro era composto por uma só peça de bom carvalho, assim como todos os elementos do carro eram desta madeira. Esta peça ia de fora a fora, isto é do recavem, ou da traseira até à chaveta, dividida apenas virtualmente, na sua estrutura, por duas partes: a cabeçalha onde ao centro ficava um eixo com duas rodas e o cabeçalho onde os bois eram apostos e puxavam o carro através de uma canga que supõe um canzil dobrado para serem dois animais a puxarem, e não um só. Este elemento mais cumprido do carro era a peça depois do rodeiro mais resistente e base da segurança. Para que fosse meio de transporte havia o chedeiro composto por duas chedas unidas nas traseiras pelo recavem e unidas à cabeçalha onde esta começava a ficar isolada para que os animais tivessem lugar e pudessem trabalhar. Entre as chedas e a cabeçalha havia o soalho formado por tábuas que por baixo levavam umas travessas horizontais ou as arreias que entravam nas chedas e davam mais consistência às tabuas de soalho em carvalho como tudo o resto. As chedas levavam uns furos onde entravam os fueiros para segurar a carga e em certas ocasiões também as tabuletas. Ao meio do cabeçalho perto da ponta mais fina e para que a cabeçalha não pousasse no chão ou pudesse partir, havia uma peça incrustada a meio do cabeçalho para que este não pousasse directamente no chão, mas ficasse um pouco mais elevado e nas chedas atrás, assim como ao começar a curvatura para ir encontrar-se com a cabeçalha levavam uns argolões, ou uns pinos que serviam para prender a carga com umas cordas, por exemplo.
O carro não anda sem rodas e estas sem um eixo. A meio desta estrutura do chão do carro passava o eixo e dos lados funcionavam as rodas. O eixo era uma peça de boa estrutura e levava uma roda de cada lado. Nas chedas havia um local onde encaixavam o eixo que sustentavam as rodas, o rodeiro, como o cocão ou o pau robusto na vertical onde funciona o eixo, chumaços ou cantadeiras, onde funcionava muitas vezes o travão do carro nas descidas. As rodas eram peças importantes para andar por caminhos complicados de lama, pedras, calçadas e piso chão de terra batida… As rodas eram compostas pelo meão com meias luas à volta, com barras de ferro curvado e introduzidos na madeira e seguradas por pregos de ferreiro. A roda de madeira era forrada em toda a volta com uma barra de ferro e este também “pregado” com pregos grandes e forjados feitos no ferreiro.

Depois havia o carro do lavrador e o carro do carreteiro que, normalmente, era mais robusto e as rodas com raios e todos tinham de ter um registo camarário que tinha de ser aposto numa cheda.
















As cangas eram necessárias e diferenciavam-se do canzil, pois este supunha apenas um animal para o trabalho como para puxar uma carroça, um sachador, etc… A canga supõe junta, e aí está a junta de bois, ou de vacas para puxar o carro, alguma charrua, um margedouro, fazer um cambão, etc… Há cangas simples e há cangas que são autênticas obras de arte, nelas levam uns furos para meterem uns aros e umas fivelas para que estes não caíssem. Os arcos são metidos por baixo da papeira dos bois para poderem puxar com o pescoço os referidos meios de transporte. Ao centro das cangas eram gravadas, a gosto, um símbolo religioso. Na canga ao centro e por baixo com pele dos animais faziam o tameiro ou tamoeiro onde entrava o cabeçalho e era presa a canga com a chaveta ou chavelhão por ser pequeno e diferente de uma maior que servia também para pôr o carro em descanso e na horizontal, retirando assim a peça que se encontra pela parte de baixo do cabeçalho.

E não era tudo para este transporte, pois falta o principal é o gado bovino, os bois, os animais que bem alimentados e de boa musculação por trabalhos duros infligidos, mas bem alimentado, de pança muitas vezes cheia, nem sempre era suficiente. Por vezes, por dificuldades orgânicas internas, sanitárias, ou por dificuldade da dureza do trabalho o pobre do animal com umas varadas um aguilhoadelas infligidas lá saía da dificuldade. Lembra-me a calçada onde um dos bois não conseguia puxar e um homem chamado Aginha, por penitência deitou o ombro ao carro do lado daquele boi, o que lhe valeu ser morto por estar a cumprir uma penitência dada por um frade beneditino do mosteiro de S. João de Arga que era ajudar a primeira pessoa que encontrasse em dificuldade. Assim apareceu o Santo Aginha que chegou a constar no calendário do santoral bracarense e como padroeiro dos ladrões, pois a vida dele, antes de se arrepender, foi ser salteador dos que vinham de Ponte de Lima pela Serra de Arga.